quarta-feira, maio 24, 2006

falsa intensidade

Chegou com aquele olhos em brasas, aquelas mãos cheias de dedos, como quem sabia o que queria. Veio todo cheio de uma intensidade. E os momentos foram intensos, sem nenhuma tensão e repletos de tesão.
Agora te vejo indo, um ser acanhado, uma criança que a mãe ainda faz o prato e escolhe a roupa, como se tivesse vergonha do que fez e os teus atos não deixassem em mim nenhuma consequência.
Está indo e não tem nem a dignidade de dizer tchau.
Vejo da minha janela o teu corpo se distanciando. Mas não reconheço o ser que se vai.
Por que mesmo não estando tão longe eu não consigo gritar o teu nome e pedir pra você ficar?
Por que não vai com a intensidade que veio?
Por que não diz tchau, rasga minha roupa e me dá um beijo daqueles dos casais de cinema mais apaixonados que a mocinha fica com os lábios vermelhos, sem folego e que uma lágrima escorre lentamente e depois diz simplesmente que não dá mais?
Por que insiste em ser mais ambíguo do que a Capitu de Machado de Assis?
Por que usar essa falsa intensidade só naquilo que lhe convem?
Por que?

...

É que o teu silêncio que me corroi.

...

"é que eu só sei amar assim...eu quero cada gesto, cada palavra"
(Herbet Viana)

terça-feira, maio 23, 2006

inquietação do dia

" - Haveis de entender, começou ele, que a virtude e o saber têm duas existências paralelas, uma no sujeito que as possui, outra no espírito dos que o ouvem ou contemplam. Se puserdes as mais sublimes virtudes e os mais profundos conhecimentos em um sujeito solitário, remoto de todo com outros homens, é como se eles não existissem. Os frutos de uma laranjeira, se ninguém os gostar, valem tanto como as urzes e plantas bravias e, se ninguém os vir, não valem nada; ou, por outras palavras mais enérgicas, não há espetáculo sem espectador."

(Machado de Assis - O segredo do bonzo)
E quando a platéia não consegui ouvir e muito menos contemplar?

segunda-feira, maio 22, 2006

reta final

e nessa história de caçar meu lugar de (no) (d)Direito, as forças tão quase acabando.

esse quase me persegue tanto, mas isso é outra história.

domingo, maio 21, 2006

começando...

Fragmentos do meu eu
de um só eu
que é só meu.

Aqui, parte de minha filosofia barata, dos meus problemas, da minha ironia, do meu sarcasmo e de tantos outros elementos que me compõem...

Começo avisando que é de mim para mim, portanto leiam ou não, gostem ou não, tanto faz.