quarta-feira, maio 24, 2006

falsa intensidade

Chegou com aquele olhos em brasas, aquelas mãos cheias de dedos, como quem sabia o que queria. Veio todo cheio de uma intensidade. E os momentos foram intensos, sem nenhuma tensão e repletos de tesão.
Agora te vejo indo, um ser acanhado, uma criança que a mãe ainda faz o prato e escolhe a roupa, como se tivesse vergonha do que fez e os teus atos não deixassem em mim nenhuma consequência.
Está indo e não tem nem a dignidade de dizer tchau.
Vejo da minha janela o teu corpo se distanciando. Mas não reconheço o ser que se vai.
Por que mesmo não estando tão longe eu não consigo gritar o teu nome e pedir pra você ficar?
Por que não vai com a intensidade que veio?
Por que não diz tchau, rasga minha roupa e me dá um beijo daqueles dos casais de cinema mais apaixonados que a mocinha fica com os lábios vermelhos, sem folego e que uma lágrima escorre lentamente e depois diz simplesmente que não dá mais?
Por que insiste em ser mais ambíguo do que a Capitu de Machado de Assis?
Por que usar essa falsa intensidade só naquilo que lhe convem?
Por que?

...

É que o teu silêncio que me corroi.

...

"é que eu só sei amar assim...eu quero cada gesto, cada palavra"
(Herbet Viana)