quinta-feira, outubro 05, 2006

Sou uma punhetisa.
Sobre o que falo é sexo, e outras quenturas
E isto é tudo do que vale a pena fazer poesia e prosa e silêncio

Minhas palavras deitam-se em refinados gemidos
e meus versos são urros mascarados
Pra não acordar os vizinhos é que escrevo
(E é pra não acordar a cidade que publico.)

Qualquer um de meus pontos finais é uma ponta de dedo
Encostando sorrateira não sei onde
num lugar bom
Num lugar que procure dedos e suas pontas
com suas devidas temperaturas e força

Cada rima é um encaixe de corpos
Naqueles pequenos instantes em que passamos em ritmo
quando atracamo-nos pra acasalar
E cada verso que chega sem rima
é uma gentileza sexual
do um que cede e controla
pro outro que goza

E cada breve frase é um puxão de cabelo
Cada parágrafo é pausa que adia o derradeiro orgasmo
E cada idéia que se lhe parece é umbigos roçando
E cada pequeno emocionamento é um sorriso gostoso
de quem está entregue
e sem energia de disfarçar
A cabeça tombando pra trás
Os deuses com inveja
Os vizinhos com inveja

Desculpem-me os moralistas e suas mães.
Mas quando escrevo é quase uma masturbação.

Co-le-ti-va.